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Policia POLÍCIA

Tenente-coronel denunciado pelo MP diz que viveu 40 minutos de terror e matou assaltante para defender a família

Ministério Público chegou a pedir que o militar seja obrigado a pagar indenização à família do assaltante.

09/07/2024 17h36
Por: redação Fonte: APARECIDO CARMO DO REPÓRTERMT
Ronaldo Mazza / ALMT
Ronaldo Mazza / ALMT

O tenente-coronel Otoniel Gonçalves Pinto, denunciado pelo Ministério Público por ter matado um assaltante que invadiu sua casa e fez sua família refém, disse que passou 40 minutos de terror diante ao criminoso e que agora é novamente vítima de violência, dessa vez por parte do estado.

“Depois de suportar a violência de um criminoso, vou enfrentar a violência do Estado que me acusa de ser homicida por ter defendido minha família, meu lar, minha fortaleza”, afirma o militar em um texto compartilhado nas redes sociais. 

Em denúncia apresentada à 12ª Vara Criminal de Cuiabá, o promotor de Justiça Vinicius Gahyava Martins pede que o militar seja julgado por homicídio pelo Tribunal do Júri e que seja condenado a pagar indenização à família do criminoso a título de “reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos".

Na nota divulgada nesta terça-feira (09), o policial recorda que no dia 28 de novembro de 2023, após deixar os filhos na escola, voltou para casa com a esposa e foram rendidos por um ladrão armado. Otoniel relata que a arma foi apontada para sua cabeça e que o criminoso agia com truculência.

 

No relato, ele diz que os dois foram humilhados e obrigados a deitar no chão. Além disso, o sogro, um idoso de 70 anos, foi alvo do que descreveu como a “mais vil forma de violência”.

“Durante 40 intermináveis minutos de terror, sob a mira de um revólver, entre a vida e a morte, assistimos à profanação de nosso sagrado lar sem esboçar qualquer reação, tudo para o fim de preservar nossas vidas”, diz o texto.

Conforme o tenente-coronel, quando o criminoso se deu conta de que estava na casa de um militar, se tornou ainda mais violento e chegou a ameaçá-lo de morte. O policial revela que naquele momento chegou a temer pela própria vida, de sua esposa e a do sogro.

Apesar das ameaças, o criminoso fugiu em seguida, levando objetos pessoais das vítimas. Conforme a denúncia do Ministério Público, o criminoso, que não foi identificado, tinha um comparsa o aguardando do lado de fora, que foi identificado como Luanderson Patrik Vitor de Lunas e que o aguardava em um carro.

O policial prossegue relatando que no momento da fuga, o criminoso voltou a mirar em sua direção com a arma. Foi nesse momento que reagiu e disparou na direção deles.

O tenente-coronel pontua que foi alvo de um inquérito policial em que, após a análise de imagens de câmeras de segurança, ouvidas testemunhas, além da realização de perícia no local do crime, concluiu-se que a sua conduta tinha sido “defensiva e reativa” e que sequer foi indiciado criminalmente, diante do evidente cenário de legítima defesa e excludente de ilicitude.

“No entanto, antes que o ladrão fosse preso, processado e julgado pelo crime que cometeu contra minha família, tenho que, a pedido do Ministério Público Estadual, sentar no banco dos réus porque o Promotor, diversamente da Autoridade Policial, entendeu que eu cometi o crime de homicídio doloso e, por isso, devo, inclusive, pagar uma indenização ao criminoso que roubou minha residência”, conclui o texto escrito por Otoniel.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alexandre Mendes, criticou o posicionamento do Ministério Público e apontou uma tentativa de fazer o criminoso se tornar a vítima e a vítima em réu. Para Mendes, a situação evidencia a "bandidolatria" aceita por integrantes do Judiciário e uma "inversão de valores" na sociedade.

Veja abaixo a íntegra da manifestação do tenente-coronel Otoniel Gonçalves Pinto:

Sobre a matéria divulgada em diversos sites de Cuiabá, tenho a dizer que, em 28 de novembro, depois de deixar meus filhos no colégio e retornar a minha residência, eu e minha esposa fomos surpreendidos por um ladrão que de posse de uma pistola mirada em minha fronte, agindo com típica truculência, renderam-nos e, dessa forma, ambos humilhados e de “cara ao chão”, também assistimos o invasor render o meu sogro, com mais de 70 anos, para também, colocar esse idoso sob a mais vil forma de violência.

Durante 40 intermináveis minutos de terror, sob a mira de um revólver, entre a vida e a morte, assistimos à profanação de nosso sagrado lar sem esboçar qualquer reação, tudo para o fim de preservar nossas vidas.

Contudo, mesmo obedecendo todas as ordens do criminoso, os adereços que adornam minha residência revelaram ao ladrão que ali residia uma família militar, um trabalhador da Polícia Militar. Tal constatação pelo ladrão fez aumentar o seu padrão de violência, o que o motivou a dizer que iria me matar e que eu estava “fodido”.

Quando ouvi essa ameaça, comecei a orar e pedir a Deus pela minha família, sobretudo pelos meus dois filhos pequenos que, felizmente, no momento já estavam no colégio.

Deus deu uma nova chance a minha família e o ladrão, dissuadido de matar, após levar pertences materiais e deixar seu rastro de violência, empreendeu em fuga com o apoio de outro ladrão que estava de carro na frente de minha casa.

Foi nesse instante que, com o intuito de fazer cessar aquela violência, ao avistar o ladrão mirando novamente sua pistola em minha direção, reagi e o motorista foi alvejado com um tiro fatal, encerrando, ali, a empreitada criminosa da qual eu e minha família fomos vítimas.

A fim de apurar os fatos, foi instaurado Inquérito Policial, onde, novamente, minha família reviveu os momentos de violência e terror para relatar a Autoridade Policial o que havia acontecido na manha de 28 de novembro.

Assim, depois de analisadas as imagens do sistema de segurança, dos depoimentos colhidos, da perícia realizada em minha residência, o Delegado em seu relatório final concluiu que minha conduta foi defensiva e reativa à violência contra minha família, razão porque, sequer promoveu meu indiciamento criminal, eis que foi evidente a legitima defesa, típica e notória excludente de ilicitude.

No entanto, antes que o ladrão fosse preso, processado e julgado pelo crime que cometeu contra minha família, tenho que, a pedido do Ministério Público Estadual, sentar no banco dos réus porque o Promotor, diversamente da Autoridade Policial, entendeu que eu cometi o crime de homicídio doloso e, por isso, devo, inclusive, pagar uma indenização ao criminoso que roubou minha residência.

É isso que se pede a Justiça!

Agora, como relatado na reportagem, sou réu!

Depois de suportar a violência de um criminoso, vou enfrentar a violência do Estado que me acusa de ser homicida por ter defendido minha família, meu lar, minha fortaleza!

Agradeço as mensagens de apoio, afeto e carinho.

Ten Cel Otoniel Gonçalves Pinto

 
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